Participação política na rede
Participação política na rede
Nossa comunicação, colaboração e cooperação não se baseiam apenas no comum, elas também produzem o comum, numa espiral expansiva de relações. (Hardt & Negri, 2005, p. 14).
Howard Reinghold definia, já em 2002, o fenômeno das mobilizações constituídas por pessoas capazes de agirem juntas sem mesmo se conhecerem. Em seu livro Smart Mobs, The Next Social Revolution, ele descreve experiências das chamadas mobilizações inteligentes com suas características possibilidades de colaboração em redes virtuais, até então inéditas, através de dispositivos com capacidade de telecomunicação, o que inclui telefonia celular e tecnologia móvel ou computação portátil sem fio (wireless).
Na época, a Internet não era tão reconhecida como o meio de comunicação privilegiado no cenário mundial como é hoje. As comunidades na rede digital eram apropriadamente chamadas ‘virtuais’, pois praticamente não tinham visibilidade fora do âmbito do ciberespaço. O que Reinghold nos explicava, então, era a noção de que a introdução da mobilidade tecnológica havia gerado possibilidades de operar mudanças significativas na maneira como as cidades e seus habitantes se organizavam e interagiam.
Esses poucos anos da publicação da primeira edição de Smart Mobs, e sobretudo com a inauguração da Web 2.0 - e suas características de múltiplas interatividades – foram definindo com maior clareza a capacidade que a Internet tem de agir em praticamente todos os setores da vida individual e da sociedade como um todo.
Se nesse mundo de conexões com comunicação instantânea muitos conceitos tornam-se rapidamente desatualizados ou se esgotam conforme novas práticas on-line vão se inaugurando, esse não é o caso das mobilizações coletivas de Reinghold. A discussão em torno delas permanece atual, porque engloba tanto as diferentes formas de utilização das tecnologias digitais quanto as de telecomunicação que a cada dia vão se aperfeiçoando e também diminuindo os custos e, consequentemente, facilitam o acesso a todas as classes sociais e faixas etárias.
A foto na rua, o vídeo no celular, o envio de mensagens de texto por SMS, por e-mail e para blogs, entre outras possibilidades instantâneas, são utilizados, por exemplo, para marcar ou desmarcar encontros em cima da hora, avisar sobre acidentes, trânsito, congestionamento, manifestações públicas e outras ocorrências na cidade entre duas e até centenas de pessoas simultaneamente. Assistimos todos os dias nos meios de comunicação tradicionais como esses registros realizados por amadores alimentam as reportagens da grande mídia.
Assim, não é difícil entender porque multiplica-se incessantemente o número de pessoas que compartilham as formas de comunicação móveis e instantâneas como um hábito diário, em qualquer lugar e a qualquer hora. Ou seja, as pessoas não só conversam mais e portanto têm maior aproximação entre si como participam mais e, de certa forma, ampliam o espaço público.Vemos nitidamente como a noção de inteligência coletiva, por exemplo, que até pouco tempo era motivo de estudo de poucos, se irradia e ganha visibilidade como prática comunitária corriqueira on-line e offline. Um dos exemplos que podemos citar como um movimento que teve início na rede por apaixonados e usuários e que ganhou projeção também offline, a partir de produção nas redes sociais entre pessoas anônimas e desconhecidas entre si é o encontro anual mundial Campus Party. Desde sua primeira edição realizada em 1997, em Valência, na Espanha, é um evento que reúne presencialmente milhares de participantes durante uma semana com seus próprios computadores. A Campus Party, em sua edição brasileira, vem sendo realizada anualmente desde 2008. Ali os campuseiros se encontram para compartilhar produções, experiências, curiosidades e, enfim, realizar atividades relacionadas com tecnologia, cultura digital e entretenimento em rede. Esse tipo de encontro vem consolidando a integração dos ativistas de inclusão digital e cultura hacker na busca de novas tecnologias que sirvam para o envolvimento de projetos sociais, na troca livre de conteúdos e no compartilhamento de experiências no mundo digital. “Para que terceirizar?”, seria a questão dos campuseiros.
Com isso não só se ampliam os horizontes de atuação desses ativistas como introduz a temática social e política no debate de outras atividades que dinamizam a Campus Party. Produções colaborativas na rede Na mesma medida em que as redes sociais e de relacionamento de altíssima densidade – como Orkut, Facebook, Twitter, My Space entre outras – propiciaram a abertura para encontros e conversações por meio de suas comunidades, além dos blogs pessoais, vimos que esse meio de comunicação teve uma importante função educativa para os jovens.
Ainda que a grande maioria use as redes apenas para se expor e encontrar amigos, são muitos os que já sabem usá-las também para explorar interesses comuns e encontrar informações que vão além do que a escola ou a comunidade local que faz parte pode oferecer. Em relação ao nosso foco em conceitos relacionados a programas de inclusão digital, sobretudo em função da experiência com os projetos de capacitação dos jovens para o uso das novas ferramentas, vimos também convergir nossos estudos para a função das redes como novas mídias, em que quem produz conteúdo e publica faz parte dos que atualmente se denominam novos comunicadores sociais ou ‘publicistas’.
A forma colaborativa com associações de perguntas e respostas, a relação entre as comunidades, o modo de seguir links e rastros para explorar melhor aquilo que interessa fazem parte, enfim, das produções coletivas de conhecimento no espaço comum. Esta forma colaborativa de participação, principalmente entre jovens nas redes, significa para nós um importante exercício educativo e participativo relacionado à cidadania, tal como tratamos nesse livro. Não é de se espantar, portanto, que a prática cada vez mais disseminada de alimentação dessas redes ganhasse progressivamente tanto qualidade quanto visibilidade em termos de conteúdos compartilhados confiáveis, capazes de elevar uma multidão de pessoas ao status não só formadoras de opinião, mas de ‘formadoras de diretrizes’ .
Com esse status, a multidão conquista um papel ainda mais importante: o de causar impactos capazes de influir nos rumos de grandes questões políticas globais, a exemplo das eleições à presidência dos Estados Unidos, em 2008. Essa produção coletiva é reconhecida tanto pelos meios de comunicação de massa tradicionais, quanto pelas agências de publicidade, como fonte de referência confiável, constituindo-se o que muitos chamam de nova mídia, mídias digitais ou mídias sociais.
Mídias sociais
Uma das definições de mídias sociais é que elas são tecnologias e práticas online usadas por pessoas – e inclui também empresas – para disseminar conteúdo, provocando o compartilhamento de opiniões, idéias, experiências e, o que seria o diferencial, perspectivas . Seus formatos integram tecnologia, telecomunicação e interação social, gerando produções que podem englobar textos, imagens, áudio e vídeo. Os sites usam tecnologias como blogs, mensageiros de textos, podcasts, wikis, videologs ou mashups (aplicações que combinam conteúdo de múltiplas fontes para criar uma nova aplicação), permitindo que os usuários possam atualizar as informações e interagir instantaneamente entre si. Essas mídias vão se estabelecendo como uma forma evolutiva e teriam surgido com a inauguração da Web 2.0, “fundada com base em fóruns, salas de bate-papo e comunicação P2P” .
Nesse caso, pode-se dizer que as mídias sociais não são novidade. O que mudou foi a inspiração que as modernas plataformas sociais geraram no envolvimento massivo das pessoas na produção coletiva online. O P2P é o resultado da tendência natural do desenvolvimento de engenharia de software com a disponibilidade de tecnologia para a criação de redes maiores. As mídias sociais representam uma importante mudança conceitual em todo o sistema de comunicação em massa. Segundo um informe da Universal McCann, elas enfatizam a idéia de que a construção ‘coletiva’ pode ter um impacto social tão grande quanto qualquer plataforma de mídia tradicional. “Além de baratas, acessíveis e intuitivas, podem causar impacto e interferir de forma tão efetiva quanto qualquer plataforma de mídia tradicional ”. Nesse sentido, as redes sociais tornam-se parte importante das mídias sociais e funcionam como uma autêntica pesquisa de mercado, bem segmentada e a um custo baixíssimo. A informação na rede com o novo jornalismo ‘é a dupla perfeita para o marketing nesses tempos de mídia digital, diz Hernani Dimantas, em seu livro Marketing Hacker . Porém, informação é algo muito vago, pois para informar os sites ‘precisam conversar’. É nas conversas que as pessoas se comunicam, se entendem, se reconhecem pelo ‘som’ das vozes. A noção dos seguidores (followers), em que se baseia o grande sucesso do Twitter, por exemplo, não está em responder à pergunta “o que você está fazendo agora”, mas com ‘quem’ você está ‘conversando’, quem você está ‘rastreando’, por onde anda a realidade afinada com seus interesses. A reputação do ‘quem’ passa a ter muita importância, pois o ambiente registra com mais rigor nossas ações, idéias, pensamentos e capacidade inventiva.
“Sim, nós podemos”
Nesses tempos de comunicação de alta densidade na Web, as discussões nas redes sociais vão adquirindo importância fundamental em fenômenos que atingem a vida de todos no planeta. Com isso, surge uma nova forma de se fazer política - ou de agir politicamente - motivando ações dentro e fora das redes, independentemente de crenças religiosas, características culturais, atividades profissionais, faixa etária, enfim, pessoas com modos de vida os mais diversos.
Um exemplo que já faz parte da história recente é o que teve início com a alavancada da campanha eleitoral do até então pouco conhecido ex-senador de Illinois, Barack Obama, e que, em pouco mais de um ano, passou a ser o candidato do Partido Democrata e saiu vitorioso nas eleições para a presidência dos Estados Unidos, de novembro de 2008. Vale lembrar que antes disso – até o início de 2007 - praticamente todos os teóricos das tecnologias de informação e comunicação (TICs) consideravam em suas análises muito mais a complexidade que envolvia a quantidade de informações e intervenções nos processos práticos nas redes e a polêmica em torno de valores éticos em relação a essa interatividade.
Nesse contexto, muitas vezes, as campanhas políticas pela Internet suscitavam muitas resistências, como era o caso no Brasil . A força das redes digitais nas eleições No tipo de eleição indireta, como a dos EUA, e de acordo com os moldes tradicionais de campanha, teria mais chances de vencer quem obtivesse mais votos nos estados de maior peso eleitoral, ou seja, com maior número de delegados no Colégio Eleitoral. A equipe de John McCain, embora tenha também utilizado a Internet, concentrou esforços nesses estados, portanto, nessa linha convencional de campanha. A equipe de Obama, por sua vez, buscou angariar eleitores levando adiante uma arquitetura de campanha muito bem direcionada para a rede virtual Se em eleições anteriores os candidatos montavam sites apenas para divulgar eventos e levantar fundos, a característica desta campanha foi criar uma comunidade própria, ativa, a MyBarackObama.com.
A arrecadação de fundos para a campanha via Web, veio em decorrência desse processo e mostrou um dos resultados mais surpreendentes em relação ao sucesso dessa empreitada via redes sociais. Segundo o documentário Obama digital, foram arrecadados 750 milhões de dólares para sua campanha, sendo que 67% foram doações pela internet. Além disso, dos 3,1 milhões de doadores, 93% depositaram menos de 100 dólares. Assim, devido às características próprias de altíssima capacidade de mobilização rápida e descentralizada, a rede digital propiciou uma campanha mais barata, mais sofisticada e mais eficiente do que a campanha tradicional do adversário McCain. A equipe de Obama usou o potencial da rede de uma maneira nunca antes vista. “Durante a campanha, a Web mudou a política - e talvez o governo - para sempre”, diz André Kadow.
Além de funcionários pagos, a campanha de Obama foi conquistando um número cada vez mais crescente de voluntários entusiasmados que, no decorrer da campanha, criaram e divulgaram material com diferentes métodos de comunicação, incluindo vários vídeos caseiros lançados no YouTube e que se tornaram hits mundiais com quase 23 milhões de visitantes. E isto, analisa Kadow, graças a que Andrew Rasiej, fundador do TechPresident.com, chama de ‘a cultura de acreditar na Internet’. Ou seja: “Eles deixaram a mídia tradicional de cabelos em pé produzindo conteúdo que sabiam que seria distribuído no momento em que fosse para a Web”. Por tudo isso, o bom aproveitamento dos meios digitais pela equipe de Obama ajudou a reduzir os custos de sua campanha.
Ainda que milhões de dólares tenham sido gastos nos sites oficiais e na rede social MyBarackObama.com, conforme analisa Kadow, grande parte dos esforços online foram de custos muito baixos, alguns até gratuitos. Diz ele que, usando plataformas abertas como o Facebook, MySpace e o YouTube, houve uma comunicação com os mais jovens de uma maneira nunca antes efetuada na política, com custos extremamente baixos e resultados muito melhores do que os das mídias tradicionais: “Com as campanhas online, você pode ver no mesmo instante aonde estão os melhores resultados, reinvestir ali e melhorar o que não está funcionando. Tudo baseado em dados reais e em tempo real”.
Esse tipo de ação que foi se expandindo por contágio, acabou fazendo com que os caríssimos comerciais de TV e mala direta fossem perdendo pontos para e-mails curtos e concisos e os links divulgados pelas redes. No final da campanha, uma vez que o voto não é obrigatório nos EUA, houve uma proliferação de e-mails e SMSs com os quais, principalmente os mais jovens, convidavam as pessoas a irem votar com amigos, a participarem de campanhas de chamadas por telefone ou de eventos próximos às suas casas. Ainda que milhões de dólares tenham sido gastos nos sites oficiais e na rede social MyBarackObama.com, conforme analisa Kadow, grande parte dos esforços online foram de custos muito baixos, alguns até gratuitos. Diz ele que, usando plataformas abertas como o Facebook, MySpace e o YouTube, houve uma comunicação com os mais jovens de uma maneira nunca antes efetuada na política, com custos extremamente baixos e resultados muito melhores do que os das mídias tradicionais: “Com as campanhas online, você pode ver no mesmo instante aonde estão os melhores resultados, reinvestir ali e melhorar o que não está funcionando em tempo real”. Um jeito novo de fazer política
Tais inovações geraram muitas expectativas acerca de um governo realmente participativo, democrático, transparente. Após um ano de mandato, naturalmente as análises se tornaram mais cautelosas, rigorosas, em relação ao que seja a participação efetiva da população nas políticas públicas norte-americanas internas e externas. Embora as conversas de Obama com a população passem online pelo Youtube , há toda uma equipe de marketing para cuidar disso.
A maneira como Obama tem ido a público responder sobre saúde, meio-ambiente, política externa, economia, enfim, falar dos problemas gerais da nação - além de, tanto ele, quanto a primeira-dama Michelle Obama quanto assessores mais diretos manterem a prática de enviar e-mails em nome próprio para falar de assuntos que afetam toda a população, como, por exemplo, a saúde pública - tem garantido sua posição de um político atuante nas redes sociais. Entretanto, podemos dizer que se trata de uma prática política efetiva ou de mera participação social?
No tipo de democracia representativa, como a que vivemos, quem ganha é quem tem a maioria dos votos. Não se trata, de discutir aqui teorias sociológicas a respeito dos direitos universais da cidadania, mas pretendemos demonstrar, com exemplos de e-participação, que os representantes de uma população majoritária nem sempre são os que mais podem contribuir para um debate franco e aberto acerca de questões que dizem respeito a proximidade, contextualidade ou mesmo interesse por determinados temas.
"A grande inovação que a conversação na rede proporciona é a possibilidade de reunião dessas pessoas num ambiente favorável às discussões."
A biologia molecular explica como algumas sementes podem permanecer latentes no solo durante anos sem germinar e de repente se mostrarem ativas transformando-se em vegetação exuberante. A mesma coisa ocorre com os vírus em relação à vida humana. Ainda que muitas das espécies não visíveis a olho nu convivam com os seres humanos sem serem prejudiciais, fatores ambientais e contextuais que favoreçam sua concentração podem causar um desequilíbrio de forças fazendo surgir epidemias. Analogamente, esta é também a explicação dos estudiosos de comunicação em relação ao novo ‘território’ que propiciou a expansão das redes digitais até se transformarem nas maiores fontes de referências em vários níveis do século XXI.
Se hoje é possível dizer que há uma forma de produção hegemônica de conhecimento, de informação e comunicação na área de serviços é sem dúvida a que se realiza nas redes com os colaboradores que alimentam e agregam conteúdos, através das ferramentas de portais, sites e blogs, podendo desenvolvê-los e atualizá-los constantemente (RSS e feeds). Autonomia Ampliada De acordo com Yochai Benkler, um dos expressivos pensadores do movimento hacker, a economia de informação em rede atua positivamente na capacidade prática dos indivíduos em três dimensões: a) os indivíduos fazem mais para e por eles próprios; b) eles podem realizar mais atividades em comum com outros, sem a limitação de organizarem suas relações apenas por um sistema de preços ou por sistemas hierárquicos tradicionais de organizações sociais e econômicas; e c) melhora a capacidade de indivíduos fazerem mais em organizações formais que operam fora da esfera do mercado. Esta experiência implica na expansão da autonomia dos indivíduos de agirem e colaborarem com outros independentemente de autorização. Com isso, melhoram a experiência praticada nas relações micropolíticas, que implicam interferir nas políticas representativas da democracia, da justiça e do desenvolvimento de cultura e comunidade As pessoas podem criar as suas próprias expressões assim como buscar a informação que precisam, com substancialmente menos dependência da mídia de massa do século XX .
Por isso, não menos importante são as relações transitórias em organizações formais para concretizar uma cooperação com uma determinada finalidade. Esta é a idéia do livro sobre a Zona Autônoma Temporária, de Hakim Bay ao tratar de um grupo ou um bando voluntário de pessoas numa atividade comum sem o controle de hierarquias opressivas . A própria fluidez e o pouco compromisso requerido em qualquer relação de cooperação aumentam a gama e a diversidade de cooperação nas quais as pessoas entram e, portanto, podem estar com outras em projetos colaborativos que sintam estarem abertos para eles. Muitos desses movimentos surgem a partir da assinatura de petições para órgãos governamentais que ao serem repassados na rede ganham força, podendo interferir até mesmo em aprovação ou vetos em projetos de lei. Como exemplo recente, podemos citar o Manifesto do Lixo Eletrônico, de 2009, com o objetivo de pressionar o Legislativo para incluir novamente os equipamentos eletroeletrônicos e lâmpadas fluorescentes no Art.33 que regulamenta a logística reversa e a reciclagem obrigatória de produtos especiais na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que está tramitando no Congresso Nacional, devido ao alto impacto ambiental que possuem, além de matérias-primas valiosas cujo descarte inadequado representa perdas ambientais e econômicas. . A pressão da sociedade civil, boa parte expressa pelo manifesto, foi fundamental para a acertada tomada de decisão final do Grupo de Trabalho da PNRS de incluir esses produtos tão tóxicos na parte de coleta obrigatória do projeto de lei que tem mais de 18 anos de estrada, entre idas e vindas no Congresso Nacional. Não é a toa que os pesquisadores interessados em ‘aprendizagem informal’ voltam suas atenções para o modo como cada um estuda ou comenta determinado assunto a partir de suas habilidades.
Nesse sentido, as tecnologias de informação e comunicação e aprendizagem relacionam-se mais com o desenvolvimento da arte de selecionar as tarefas consideradas importantes pelos usuários e não mais com as impostas pelo ensino tradicional. Os percursos, conhecimentos e competências adquiridos por uma pessoa são todos singulares. Hoje, habitam-se espaços de conhecimentos abertos, contínuos e não-lineares, que se reorganizam segundo o contexto de cada um. Do mesmo modo o conceito de rede é utilizado como uma alternativa de organização coletiva que possibilita respostas a uma série de demandas de flexibilidade, conectividade e descentralização da atuação social, reconduzindo a comunicação para uma lógica de sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos e instituições de forma descentralizada, participativa e ao mesmo tempo autônoma.
A comunidade não precisa de um território físico para estudar, aprender, participar de decisões, mas de um território virtual de composições afetivas reais, no qual a maneira de saber linkar e ser linkado seja uma poderosa ferramenta de trabalho. É nesse cenário que todos – governo e população – discutem o que significa fazer política no século XXI, cuja tendência é aumentar a participação distribuída.
buzzine.info

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