A revolução concentrada nas tecnologias da informação foi remodelando a base material da sociedade: “a economia das nações passou a manter rapidamente interdependência global, desenhando uma nova forma de relação entre a economia, o Estado e a sociedade”.
Fundamentalmente, a flexibilidade no gerenciamento de produção dos sistemas aumentou, devido à descentralização e à organização de produção, e, ao mesmo tempo, houve individualização e diversificação cada vez maior das relações de trabalho, entre muitos outros fatores positivos que o autor enumera em seu livro.
O processo de trabalho, uma das transformações mais positivas consideradas pelo autor, e que está relacionado com a transformação do mercado de trabalho ativo e das relações produtivas na rede, situa-se no cerne da estrutura social contemporânea. Tratando-se do impacto específico das tecnologias nesse campo, sua visão é de que o tipo de rede de visualização mais fácil para representar o espaço de fluxos é a “rede constituída pelos sistemas de processos decisórios da economia global”. E, nesse caso, explicita, desenha-se a ’cidade global’ enquanto um processo em vez de um lugar definido.. Baseados na afirmação de Castells de que o espaço é “a expressão da sociedade”, as sociedades, ao verem inauguradas novas formas e processos espaciais, só possíveis graças às revolucionárias tecnologias de informação e comunicação, se transformaram estruturalmente. Para ele, entender a lógica de tais transformações não é uma tarefa fácil,
[...] porque o conhecimento, aparentemente simples, de uma relação significativa entre sociedade e espaço esconde uma complexidade fundamental, uma vez que o espaço não é reflexo da sociedade, é sua expressão. Em outras palavras: o espaço não é uma fotocópia da sociedade, é a sociedade. As formas e os processos espaciais são constituídos pela dinâmica de toda a estrutura social. Há inclusão de tendências contraditórias derivadas de conflitos e estratégias entre atores sociais que representam interesses e valores opostos. Ademais, os processos sociais exercem influência no espaço, atuando no ambiente construído, herdado das estruturas sócio-espaciais anteriores. Na verdade, espaço é tempo cristalizado. (CASTELLS, 1999, p. 435).
Para este sociólogo, se, do ponto de vista da física, o espaço não pode ser definido fora da dinâmica da matéria, em teoria social, espaço não pode ser definido sem referência às práticas sociais, as quais envolvem produtos que, por sua vez, envolvem relações sociais e históricas que dão ao espaço uma forma, uma função e um sentido social. Castells prossegue sua análise afirmando que, do ponto de vista da teoria social, o espaço é o suporte material de práticas sociais de tempo compartilhado. Por práticas sociais de tempo compartilhado, o autor faz referência ao fato de o espaço reunir essas práticas que são simultâneas no tempo. Para ele, é essencial a separação do conceito básico de suporte material de práticas simultâneas da noção tradicional de contigüidade. Só assim é possível a existência de suportes materiais de simultaneidade que não dependam de contigüidade física, visto que é este o caso das práticas sociais predominantes na era da informação.
Com o advento do novo espaço como meio de comunicação privilegiado - o ciberespaço, como é mais conhecido pelos internautas desde os anos 90 - a rede informatizada surge sob a forma de associações complexas de informações, que é considerada por muitos agentes como uma espécie de agenda social comum, onde um grande número de dados informatizados pode ser disponibilizado e, com isso, democratizado. Podemos dizer que esse espaço não concreto, mas igualmente real e virtual, reconfigura os modos de relação entre as pessoas em comunidade e, com isso, a própria estrutura de poder centralizado.
A facilidade e a velocidade do uso e da troca de informações pela Internet passa a ter um papel central na nova sociedade, tanto em termos de circulação de capital quanto de formação de novos diagramas sociais e culturais, novas subjetividades e, conseqüentemente, novas concepções de comunidades que passam a ser, ao mesmo tempo, reais e virtuais.