Conversa

Informação Criativa

Dissemos que a Internet nos dá a oportunidade de escapar do peso imposto pela mídia de massa. De um para muitos. A dinâmica da Internet nos leva a outro modelo. Um a Um. De muitos para muitos. As pessoas querem ouvir, precisam escutar as vozes, um do outro, e responder da mesma forma. A propaganda perde o efeito da interrupção, pois o meio digital impossibilita uma difusão espontânea [Locke, Kasanoff, Siegel].

Não sou tão drástico para sepultar a propaganda, pois ela não está morta. Continua firme e forte, mas o gigantismo e a onipotência deste pensamento puramente especulativo está mudando de figura. Pois, na era industrial, a massificação do consumo abriu as portas para o crescimento da propaganda como conhecemos. A Internet abre espaço para estórias contadas com transparência, e com a sutileza da informação. Estamos cada vez mais cansados deste bombardeamento de marketing [Locke]. Preferimos a informação criativa, onde as empresas esquecem que precisam vender, e passam a informar seus mercados com material relevante [Dimantas].

Gonzo Marketing

Gonzo é uma técnica de jornalismo. Desenvolvida por Hunter S. Thompson . Se caracteriza por pautas improváveis e caóticas, retratando situações incomuns. O jornalista dispensa as pretensões à objetividade e escreve quase sempre em primeira pessoa, participando da cena. O sinônimo de Gonzo é idiossincrasia subjetiva, mas engajada.

Talvez o objetivo do marketing seja persuadir as pessoas a ouvirem, assim como o da ficção é levar os leitores a esquecerem a descrença. Pensamento curioso. Mas se este é o ponto, marketing é a palavra errada para um tal programa. É por isso que Locke chama de gonzo marketing – chato, um conceito de fora para dentro, nada amigável, cheio de lendas e fábulas, mitos, sagas e ficções: estórias.

Paradoxo da informação

A conversação na Internet é bem diferente daquela que se realiza ao vivo, olho no olho. Atualmente, por exemplo, milhares de pessoas, e dentre estas milhares de brasileiros, estão utilizando o blog como ferramenta de conversação e de informação descentralizada. Uma das conseqüências mais imediatas dessa conversação recai sobre o jornalismo.

Dave Winer está apostando 1.000 dólares que em cinco anos o jornalismo amador dos weblogs vai informar melhor e ter mais influência que o mais comentado (se bobear até mais lido) jornal do planeta, o "New York Times". Seria uma bravata apenas, se o editor da edição online do próprio Times, Martin Nisenholtz, não tivesse aceitado o desafio e decidido inteirar mais 1.000 nesta contenda.

Manifesto Cluetrain

O Manifesto Cluetrain debutou na rede em 1999. Trouxe um novo enfoque para as conversações online, ou melhor: Uma poderosa conversação global começou. Através da Internet, pessoas estão descobrindo e inventando novas maneiras de compartilhar rapidamente conhecimento relevante. Essa poderosa conversação está acontecendo através da internet. A busca por conteúdo relevante tem a ver com uma sociedade em rede que pressupõe uma interatividade. A comunicação se dá de muitos para muitos. Estes mercados são conversações. Seus membros se comunicam em uma linguagem que é natural, aberta, honesta, direta, engraçada e muitas vezes chocante. Quer seja explicando ou reclamando, brincando ou séria, a voz humana é genuína. Ela não pode ser falsificada. É nesse sentido que o Manifesto Cluetrain faz a diferença, pois, em primeiro lugar conceitua a conversação como forma de comunicação online. Uma conversação humana, isto é, são as pessoas que estão em rede conversando naturalmente. A crítica à falsificação da voz vem da tentativa dos conglomerados de comunicação de massa em tomar o poder na rede.

Do copyright ao copyleft

O copyleft é a maneira como os movimentos de contra- cultura enxergam a questão dos direitos autorais. CopyLeft é uma forma de proteção dos direitos autorais que tem como objetivo prevenir as barreiras à utilização, difusão e modificação de uma obra criativa. Assim, os autores e criadores ao aplicarem copyleft aos seus trabalhos esperam criar as condições mais favoráveis para que um maior número de pessoas se sintam livres de contribuir com melhoramentos e alterações desses trabalhos, ou seja a inovação passa a ser um processo continuado.

Temos que encarar o fato de uma forma mais pragmática e repensar a dinâmica da remuneração, pois no conceito do CopyLeft o trabalho imaterial deixa de ser propriedade do autor e se estabelece como uma referência ao autor . Da mesma maneira que o copyright reinou durante toda a era industrial, vemos atualmente o crescimento da idéia do copyleft em toda a indústria relacionada com o conhecimento. O fluxo do conhecimento torna-se mais livre a cada dia. Não pertence a uma entidade ou a uma empresa. Na verdade, não pertence a ninguém. É importante entender que a idéia de reputação num ambiente caótico e rico em diversidade passa a ser uma variável importante na composição da remuneração e da sobrevivência.

O Hyperlink subverte a hierarquia

O Linux é subversivo, pois transforma a estrutura imposta pela revolução industrial. Na era da Internet, desponta como o primeiro produto idealizado e concebido pela sociedade da informação. A distinção do Linux frente ao modelo comercial dominante de software, caracterizado pelos produtos da Microsoft, é, sobretudo, sua abertura. Isto significa liberdade na cessão, alteração, utilização e distribuição do software. Mas a grande inovação do Linux, ao contrário do que muita gente pensa, não está no aspecto técnico mas, sim, no social.

Compartilhar informações e conhecimento foi o que permitiu a maioria dos grandes avanços da ciência. Do mesmo modo que pesquisadores permitem a todos os demais em seus campos de estudo examinar e utilizar suas descobertas, para serem testadas e desenvolvidas além do ponto em que se encontram, os hackers que participam do projeto Linux permitem a todos os demais utilizar, testar e desenvolver seus programas. Isso é conhecido como ética cientifica. Na programação, este comportamento recebe o nome de código-fonte aberto, ou open source. Com o Linux, temos o mesmo modelo de desenvolvimento utilizado nas academias de Platão, na qual os alunos não eram vistos como a meta dos ensinamentos, mas como companheiros na aprendizagem. Este tipo de abordagem tem uma aderência ao pano de fundo anárquico encontrado na rede. As pessoas não querem mais ser telespectadores.

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