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Paradoxo da informaçãoA conversação na Internet é bem diferente daquela que se realiza ao vivo, olho no olho. Atualmente, por exemplo, milhares de pessoas, e dentre estas milhares de brasileiros, estão utilizando o blog como ferramenta de conversação e de informação descentralizada. Uma das conseqüências mais imediatas dessa conversação recai sobre o jornalismo. Dave Winer está apostando 1.000 dólares que em cinco anos o jornalismo amador dos weblogs vai informar melhor e ter mais influência que o mais comentado (se bobear até mais lido) jornal do planeta, o "New York Times". Seria uma bravata apenas, se o editor da edição online do próprio Times, Martin Nisenholtz, não tivesse aceitado o desafio e decidido inteirar mais 1.000 nesta contenda. Então, por que ler José Simão? Posso ler o blog da Cora Rónai . Para que preciso ler novidades sobre cinema na Folha de S. Paulo? Nemo Nox já fez a crítica no burburinho . Para que esperar o Estadão fazer suas análises sobre a situação do planeta? A NovaE faz isso toda semana. São tantas as alternativas para saber o que está acontecendo no mundo que a imprensa tradicional perde, aos poucos, força e lugar enquanto “formadora de opinião”. Individualmente a maioria de blogs não acrescenta nada, pelo menos do ponto de vista da maioria desconectada. Mas, para aqueles que apostam na construção da reputação, os blogs são agregadores, poderosos, impactantes, são uma novidade importante. Existem na concordância entre pessoas, na gentileza de um hyperlink. Extrapolam os conceitos, pensamentos, missões, campanhas e disputas. Paulo Bicarato faz uma análise interessante do alcance do fenômeno dos blogs: (...) ainda há alguns analistas que surpreendem pela miopia: ao falar sobre blogs, questionam o número de acessos, por exemplo, entre outras características que têm interesse única e exclusivamente comercial. Mas os blogs não têm qualquer interesse comercial, em princípio. Podem, até, em determinados casos, acabar dando origem a algum projeto com interesse comercial, mas aí deixam de ser blogs. A voz pessoal de cada um, reverberando na rede, é que caracteriza essa efetivação da liberdade de expressão. E todos temos algo a dizer. Os mercados são conversações, e desta forma os blogs são a mais pura conversação, assim como as listas, chats, fóruns, etc. A Internet não surgiu para espelhar o mundo real. Serve para conversar. Indiscutivelmente, está é a forma que os mercados estão interagindo. Há uma forte recusa pelo discurso comercial e vazio. Queremos informação relevante. Dan Gillmor mostra as tendências para esse jornalismo emergente, e diz: ‘Jornalistas emergentes’ (Grassroots journalists) estão desmantelando o monopólio da grande mídia de notícias, transformando as matérias em conversações. Não aceitam as notícias da maneira como são reportadas, esses leitores_que_se_tornaram_repórteres estão publicando em tempo real para uma audiência global via Internet. O impacto do trabalho deles está apenas no começo para ser sentido por jornalistas profissionais e dos fazedores de notícias que eles cobrem [Gillmor, 30]. Assim, o jornalismo online extrapola a noção do jornalismo como conhecemos. Não tem o objetivo de dar noticias, e sim de expressar a visão pessoal do mundo. Um fenômeno construído de baixo para cima, através da voz de pessoas comuns. Que com autenticidade, honestidade e, principalmente, personalidade e atitude utilizam a Web como forma de expressão. Esta é a natureza igualitária engendrada pela renascença da publicação autoral [Weinberger, 45]. A Internet nos dá a oportunidade de escapar do peso imposto pela mídia de massa. É um emaranhado, um inter- relacionamento de pessoas buscando informações reais. As pessoas querem ouvir, precisam escutar as vozes, um do outro, e responder da mesma forma. A informação corre solta pela rede. Quem tiver reputação, com a voz entrelaçada à urdidura da rede, é reconhecido pelos mercados como fonte inspiradora, como referência ou fonte. A reputação não pode ser comprada. Não no mundo digital. Conversação implica em verdade. E nossas palavras estão transcritas e registradas na rede. Não dá para ir de encontro com essa nova variável. O poder dos mercados está retornando à mão de consumidores e leitores. E não temos muito para fazer. Apenas destruir a comunicação como conhecemos, e aceitar a diversidade deste novo meio.
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