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Cultura livreFolha de São Paulo :: 04/09/2005: A cidade de Olinda deu início, em agosto deste ano, a um programa que tem por objetivo propor uma nova política de gestão da cultura. A idéia é documentar e tornar publicamente acessíveis, em regime livre, aspectos da cultura tradicional da cidade. Dentre outros, a cidade irá documentar seu patrimônio histórico, suas festas populares, incluindo o carnaval de rua, as artes plásticas da cidade, sua música (como o côco-de-roda) e o teatro popular, licenciando o produto desta documentação por meio de licenças "Creative Commons". Essas licenças concedem o direito a qualquer pessoa em todo o mundo de livremente circular, copiar, distribuir e em alguns casos modificar a obra, sem a necessidade de autorização prévia. Olinda pretende, assim, ocupar os espaços simbólicos globais com sua cultura. E a ferramenta para tanto é a generosidade intelectual, conceito cada vez mais em voga mesmo em meios empresariais, tanto que foi destaque na revista "Business Week" (que não pode ser de maneira nenhuma ser acusada de anticapitalismo) de julho, que a aponta como a mais empolgante nova força motriz de geração de riquezas. E o objetivo é exatamente esse, conteúdo produzido localmente sendo distribuído, copiado e remixado globalmente. São esses modelos de gestão, que contribuem para um movimento de integração global efetivamente cultural e simbólico, e não só econômico, que são postos em risco com enfoques como esse que prepondera nas discussões da Ompi. parte do artigo A TRADIÇÃO REMIXADA / Hermano Vianna e Ronaldo Lemos Creio que o Hermano e o Ronaldo estão no caminho certo. Embora, acho que existe uma certa forçação de barra para incluir essa tendência da cultura do remix como uma política cultural promovida pelo Ministro Gil. Ou melhor, apresentar o remix como uma linguagem oficial. Bem, temos que dar os créditos para as idéias boas que acontecem no Brasil. Não dá para pensar no remix apontando para o David Bowie, para o Spooky. A 'coisa' é aqui e agora. E, não é só na música que vemos a apropriação, a ocupação e o remix dos espaços informacionais. A música é apenas o parente rico, o luxo dessa estória. No mundo dos códigos essa apropriação é muito mais rica, mais interessante e muitas vezes invisível aos detentores do poder.
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