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Projeto Parque Digitalpor Hernani Dimantas / Dalton Martins A periferia é o centro
If I say that humans are social, I don´t mean that we tend to like one another or even that it takes a village to raise a child. i mean simply that we live in a shared world. We are here with others. Uma análise dos projetos de 'inclusão digital' nos leva a pensar que as ações de inclusão digital foram, até hoje, influenciados por fatores externos, fatores determinados pelo mercado de tecnologia, pela visão de algumas organizações não governamentais dedicadas ao tema, pelo setor acadêmico e por interesses do poder público. Os projetos de 'inclusão digital' foram desenhados do centro para a periferia. Isto significa que os protagonistas destes projetos não tem ingerência para promover as mudanças sociais nas suas comunidades. O sujeito não participa das decisões, Estamos vivenciando, portanto, um processo que de certa forma nega o conhecimento local. O gerenciamento é de cima para baixo, numa relação de paternalismo. As comunidades recebem as diretrizes prontas. Os projetos fornecem acesso à informação, mas o que se pode fazer com essa abundância de informação se torna um fantasma para essas pessoas. A periferia é o centro. Porque lá na periferia todos estão incluídos. Não existe escapatória para a comunidade. Estão todos no mesmo barco. Filhos da miséria, dos maus tratos. Fruto do esquecimento das classes dominantes. A periferia conhece muito mais sobre rede, multirões, participação e mobilização. Creio que os esforços de inclusão devem ter como premissa que o conhecimento está na periferia , e que a produção local deverá passar pela inserção da tecnologia nos movimentos da comunidade. E para combater a miséria, a exclusão e o não exercício da cidadania temos que pensar em soluções criativas de integração das periferias com a tecnologia. Dar acesso à rede é importante, mas o mais consistente é criar condições para a circulação da informação. Fases da Inclusão DigitalPensamos que a 'inclusão digital' só será potencializada quando entendermos que as necessidades das pessoas não são as mesmas necessidades daqueles que concebem os projetos. Pare a fita. Vamos voltar um pouco. E verificar outros caminhos. Em primeiro lugar, vamos contextualizar as fases deste processo de 'inclusão digital'. Podemos dividir em duas fases: fase 1. - acesso ao computador
fase 2. - acesso à informação.
Essas situações são bastante diferentes. A primeira fase pode ser resumida por uma pergunta: Para que precisamos do computador? Empregabilidade pareceu ser uma resposta que atendia a todos atores envolvidos. Ensinar computação ao povo necessariamente contribuiria para que os novatos rompessem com as fronteiras do trabalho. Essa idéia não se mostrou verdadeira. Com certeza não foi a melhor pedida. Mas com o acesso à internet (e por conseqüência o acesso à informação) começamos a perceber que as pessoas estão conversando com outras pessoas através da rede. Essa conversação traz na bagagem um novo incentivo cultural, catapulta as inteligências para novas instâncias. Assim, ao invés de orientar se à empregabilidade, poderíamos disponibilizar ferramentas para a reverberação das vozes desses protagonistas. A retomada da voz é um atalho para a cidania. A experiência dos Telecentros da Prefeitura Municipal de São Paulo é muito interessante. Pois tem como objetivo promover o enlace da comunidade com o projeto através de um conselho de gestão. É um passo importante na busca da auto gestão e sustentabilidade. Outro fator relevante está na utilização do Software Livre na plataforma de acesso a rede. O Software livre significa, além da economia na aquisição de softwares e consequentemente a otimização dos recursos, a imersão num modo de produção colaborativo. O software livre é a ponta do Iceberg de um novo mundo. Um exemplo de como a sociedade se arranja num ambiente onde o conhecimento é livre. Partindo da idéia do conhecimento livre, pensamos, então, na TerceiraFase fase dos projetos de 'inclusão digital': A circulação da informação dentro da comunidade conectada. Preto Bomba, músico do movimento de hip hop diz: Acho que levar a educação a comunidade, cativar o consumidor de música, teatro, filme, novela. A vontade de se comunicar, de participar. Cansei de ver uma certa cena atuar e bater palma pra si mesma, ignorando o povo e seus desejos, ignorando a maioria e suas necessidades. Não podemos ignorar o conhecimento do povo. Preto Bomba representa um movimento cultural. Nascido na periferia alçou vôo em direção ao centro. Existem muitos 'Pretos Bombas' esperando a sua vez para explodir a criatividade. O conhecimento é parte integrante do ser humano. Um traço cultural arraigado no sujeito e na sua comunidade. É necessário, no entanto, que esse conhecimento seja tropicalizado. A junção deste conhecimento com as informações de fora da comunidade ativam o movimento cultural. Esta circulação tende a ser potencializada pela conversação entre as pessoas inter e intra comunidades. Criando, assim, possibilidades infinitas de colaboração. Mas para isso acontecer demanda um engajamento das pessoas aos projetos. esse engajamento não pode ser imposto. É um movimento que só acontece quando a comunidade sente necessidade no seu desenvolvimento. Um movimento de baixo para cima, de dentro para fora das comunidades. Este processo espelha sobremaneira os anseios e necessidades das comunidades. E quando esta equação se torna balanceada, as comunidades tem a oportunidade de catalisar o próprio conhecimento que existe na comunidade. Mobilização
Knowledge on the web is a social activity Rede de conhecimento é uma prerrogativa da academia. É a preocupação da academia com ela própria. Professores tem interesses comuns com outros professores. O engajamento se faz no automático. Afinal, a partilha do conhecimento é interessante, mesmo porque vai continuar alocado nos limites da universidade. Mas a web só faz sentido quando um se preocupa com o outro. A web é um mundo que nós criamos para todos nós. Só pode ser compreendido dentro de uma teia de idéias que inclua os pensamentos que fundamentam a nossa cultura, com o espírito humano persistindo em todos os nós. Este compromisso entre humanos, essa generosidade altruísta não está desenvolvida no centro. Esse conhecimento está impregnado nos mutirões. No efeito puxadinho colaborativo. É só chegar para ajudar o ser humano ser mais feliz. Uma mobilização que vai além da boa ação. É cotidiana e despretensiosa. E tem o padrão Carnaval de qualidade. As propostas atuais de 'inclusão digital' sempre tocam num ponto muito similar: a criação de um telecentro, uma escola de informática ou uma sala de uso público onde as pessoas da comunidade local se dirigem para obter o acesso aos computadores e, onde os projetos estão mais evoluídos, o acesso à informação através da Internet. A partir disso, surgem várias propostas e formas diferenciadas para se validar esse acesso à informação. Desde a criação de blogs, sites colaborativos, listas de discussão, salas de bate papo intertelecentros e tantas outras formas de conectar pessoas e promover o debate entre elas. Afinal de contas, é a conversação e seu potencial catalisador de novas ações o quê efetivamente interessa desse tipo de experiência. As formas de conversação ainda são muito precárias (não por causa das ferramentas, mas por causa do gerenciamento burocrático dos centros de convivência), mas isso é apenas uma questão de tempo até grupos organizados possam se apropriar do espaço e trazer seus projetos nessa área. Será que esse modelo centralizador dos recursos de acesso a tecnologia é o melhor? Que tipo de filosofia tal modelo carrega em sua base conceitual? Pensando sobre isso, é possível visualizar que esse modelo traz muito do conceito de uma escola de formação, onde o conhecimento se encontra num determinado núcleo limitado geograficamente e a comunidade se dirige até ele como forma de participar, mesmo que implicitamente, de um processo contínuo de formação. É a esse processo que queremos aqui, de uma certa forma, criticar. As mais variadas experiências pedagógicas modernas sempre levantam um tema de importância fundamental às suas metodologias de ensino: a experimentação e o aprendizado pelo erro com base nas necessidades latentes daquele que participa e constrõe o processo educacional ao qual está inserido. Dessa forma, ter acesso aos recursos tecnológicos inerentes ao aprendizado de uma nova ferramenta no local onde a mesma participa do cotidiano de uma determinada tarefa é pedagogicamente um avanço e uma forma de efetivamente descentralizar o acesso e a experimentação desse novo processo técnico. Portanto, por quê não propor um projeto de 'inclusão digital' que não se limite à criação de um telecentro público, mas sim um processo de inserção da tecnologia em centros comunitários, pequenos grupos organizados, cooperativas, centros de encontro, entre outras formas de organizações sociais. Se a periferia da rede passa a ser o centro no modelo onde os agentes produzem conhecimento e não apenas consomem dos grandes servidores do núcleo da rede, a evolução do conceito de 'inclusão digital' como modelo de transferência de tecnologia e autonomia passa a ser a concretização do conceito de que a periferia, não apenas da rede mas da sociedade, passa a ser o centro produtor das demandas de uma nova forma de enxergar a rede. É nesse ponto que o domínio de tecnologias como o Wifi, Linux e tudo o que se relaciona com a infra-estrutura desse modelo de inclusão digital passa a ser efetivamente o diferencial de uma nova proposta de social. É aqui que o MetaReciclagem? surge. MetareciclagemO Metareciclagem foi concebido num modelo colaborativo sob o conceito do Projeto Metáfora. Este conceito tem como foco o desenvolvimento de tecnologia voltada à potencialização de redes sociais, criando alternativas para interconectar e integrar comunidades geograficamente dispersas. Tais iniciativas estão baseadas em uma organização conceitual denominada a Dinâmica da Informação:
Esta é uma tentativa explicação da passagem da tecnologia pela sociedade. Definições são importantes, mas quase sempre injustas com os desdobramentos aleatórios da realidade. Parece que as pessoas só compreendem o mundo através do pensamento linear. Mas após tanto se falar de caos e de ambientes multifacetados não consiguimos admitir que nossas mentes fiquem limitadas e engessadas pelas modos conservadores de ser e estar. A informação é algo dinâmico. Tudo acontece seguindo alguns traços. Como uma pintura que ganha força nas nuances e nos tons das tintas que são sobrepostas. Uma construção onde a base fica estampada no acabamento. Assim, a dinâmica da informação é uma decisão. Desde a base à interatividade. O hardware; a infra estrutura física para acesso à rede depende de decisões que são importantes no processo. Como o bater de asas de uma borboleta, a escolha vai ser definitiva para a arquitetura da rede. No Metareciclagem optamos pelo hardware de 'doação' - Pentium 100 com 32 de ram. Ou seja, o hardware padrão que são objetos de doação e que nas empresas não têm mais utilidade. Esta opção é função inequívoca nos desdobramentos do projeto. A nossa escolha do hardware define as novas escolhas que faremos no desenrolar do projeto. O projeto MetaReciclagem trabalha com o primeiro estrato da Dinâmica da Informação, a infra-estrutura física. Trata-se de um projeto que tem por objetivo coletar, triar e reciclar microcomputadores usados e torná-los minimamente operacionais para a realização de operações básicas em projetos sociais: edição de textos, planilha de cálculo, acesso à web e troca de mensagens. Eventualmente, são utilizados microcomputadores com um perfil mais avançado para projetos que envolvam a produção, pelos usuários, de conteúdo multimídia. Dois aspectos são fundamentais no projeto MetaReciclagem?:
MetaReciclagem no Parque EscolaHá grande sinergia entre a "reciclagem" de computadores e os conceitos do ParqueEscola?. Sugerimos a criação de um núcleo de MetaReciclagem? dentro do Parque. Ou seja, a replicação do projeto do MetaReciclagem? no Parque Escola. A infra estrutura básica necessária para o projeto estava calcada em: 1. Incentivar a doação de microcomputadores em Santo André;
2. Receber os microcomputadores para triagem e reciclagem; 3. Reciclagem, instalação dos softwares livres e adequação do microcomputador ao seu destino. A partir da adequação desta etapa, focamos a interatividade com a comunidade do ABC visando o relacionamento com empresas, escolas e universidades. Primeiramente, para o incentivo de doação dos de microcomputadores. Bem como, para a integração com futuros colaboradores e voluntários. Pois o MetaReciclagem? não faz sentido se não houver a replicação por espóros desta tecnologia. Software LivreA opção pelo software é função intrínseca da decisão pelo hardware. O hardware recebido por 'doação' demanda um software muito leve. Escalonável e versátil. O software livre atende melhor as nossas demandas. Conceitualmente, o Software Livre nos possibilita o acesso ao código fonte. Em outras palavras temos ingerência para atuar no coração do software. Assim como explicita o Movimento do Software Livre "Software livre" se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Mais precisamente, ele se refere a quatro tipos de liberdade, para os usuários do software:
(fonte http://www.fsf.org) No Metareciclagem desenvolvemos uma distribuição do sistema operacional: O MetaLinux?. Trabalhamos com um sistema que nos garanta total liberdade e escalonabilidade para interferir nas demandas por interatividade. Utilizamos também uma gama de outros softwares livres orientados para a continuidade dos projetos. Todos os softwares trazem na bagagem o senso colaborativo. E isso é importantíssimo para repensar a interatividade. Pois, da mesma forma que o vôo não linear da borboleta faz o hardware definir o software, penso que o software influencia a interação nas comunidades. Não só pelo lado da sustentação de um modo de produção colaborativo. Mas pelo espelho virtual que o software livre reflete nas mentes das pessoas. Lembre que o software livre é apenas a ponta do iceberg do conhecimento livre. Internet não tem a ver só com computadores. Tem a ver com pessoas. As máquinas apenas dão o suporte para a a colaboração e interatividade. Computadores são apenas ferramentas que potencializam a conversação entre pessoas comuns. A dinâmica da informação não é uma equação balanceada. Hardware e software só podem ser entendidos em importância se estiverem servindo à integração da humanidade. Por uma nova realidade, pois pessoas querem estar com pessoas. Simples, né? Redes Sociais"Cada novo sistema de comunicação fabrica seus excluídos. Não havia iletrados antes da invenção da escrita. A impressão e a televisão introduziram a divisão entre aqueles que publicam ou estão na mídia e os outros. Como já observei, estima-se que apenas pouco mais de 20% dos seres humanos possui um telefone. Nenhum desses fatos constitui um argumento sério contra a escrita, a impressão, a televisão ou o telefone. O fato de que haja analfabetos ou pessoas sem telefone não nos leva a condenar a escrita ou as telecomunicações - pelo contrário, somos estimulados a desenvolver a educação primária e a estender as redes telefônicas. Deveria ocorrer o mesmo com o ciberespaço." (Pierre Lévy, 1999) As pessoas interconectadas estão conversando. Mostrando que existe um dialogo muito mais poderoso do que o velho monólogo reativo. Nas listas de debates existem conversas, aliás este é exatamente o sentido do canal. Sem conversação não existiriam debates... pessoas não estariam desenvolvendo projetos, parcerias e vozes. Os sites, antes estáticos, ganharam um dinamismo inédito através dos blogs. A Internet mais parece um bazar oriental do que o modelo "padrão" que as empresas sempre impuseram. Os canais de interatividade onde podemos contar estórias, dar opiniões ou qualquer outra forma de conversação são potencializados pela rede. Qual é a novidade de uma cultura de redes sociais? Vivemos em rede desde sempre. Não vejo nada de novo. Uma configuração padrão do ser humano que remonta a história. Das cavernas às cidades, os homens, mulheres e crianças têm formado redes sociais. Mas o que são redes sociais? Manuel Castells diz Quem é o que está conectado e desconectado ao longo do tempo constitui característica fundamental de nossas sociedades. Mas creio que estamos todos conectados. Em níveis diferentes, ou melhor, qualitativamente e culturalmente diferenciados. A conexão tem a ver com a inserção do ser humano na sua comunidade. As redes sociais são, portanto, sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos e instituições de forma descentralizada e participativa. A família é uma rede. A proximidade consangüínea linka um ao outro pelos laços do amor intrínseco. Diferente dos animais, o ser humano pensa e preserva a relação inter e intra gerações. Amigos, inimigos, conhecidos e desconhecidos também fazem parte desta dinâmica social. Estão todos esses diretamente ou indiretamente linkados. As pessoas se linkam umas as outras pelos laços ou nós mais estranhos. Mas podemos garantir que é uma forma bastante consistente de analisar os relacionamentos. Link é poder. Desde sempre! Uma retomada à história nos leva a refletir sobre esse poder. A sociedade não estaria constituída da maneira que conhecemos se não fosse pela articulação das pessoas. Umas linkando as outras. Por interesses, por laços familiares ou por qualquer manifestação humana que leva uma pessoa a se relacionar com outra. Uma mágica que está intimamente ligada as nossas idiossincrasias. Ninguém consegue entender o objeto e o objetivo do amor entre as pessoas. E nem do ódio. Para Jean?Paul Sartre o amor é um ideal irrealizável. Buscamos algo impossível das pessoas que amamos: somos atraídos pela liberdade e independência que encontramos nelas. E, no entanto, ficamos tão apavorados que tentamos privá-las desses atributos quando estabelecemos uma relação amorosa. O amor e o ódio se tocam. E se realimentam. O amor nutre o ódio e vice versa. E as redes repetem essa relação criando e recriando os nós. As pessoas se unem umas as outras, ou em grupos, por afinidades. Com a derrocada do Capitalismo e pela ruptura da comunicação de massa. A sociedade do século XXI está exigindo modificações estruturais no centro do poder. O capitalismo, apesar de dominador, não mais consegue sustentar as suas teses. O paradigma da ética burocrática e a cultura de massa não mais atendem aos anseios do admirável mundo novo. O mundo está em crise. Está em guerra. A crise econômica tanto do capitalismo quanto do estatismo necessita urgentemente uma nova ordem. Uma restruturação. Neste cenário tenebroso as redes sociais ressurgem e ganham importância neste novo milênio. De acordo com Manuel Castells: A revolução das tecnologias da informação atua remodelando as bases materiais da sociedade e induzindo a emergência do informacionalismo como a base material de uma nova sociedade. A tecnologia catalisa a inteligência das pessoas. Mas não podemos atribuir essas mudanças à tecnologia por si. Toda essa evolução, bem como toda a parafernália promovida pela internet, não tem a ver com computadores. Tem a ver com as pessoas. São estas pessoas comuns que fazem da revolução uma realidade cada vez mais próxima. Através da internet está sendo possível o florescimento de movimentos sociais e culturais - feminismo, ambientalismo, defesa dos direitos humanos, das liberdades sexuais, etc.; As redes potencializam as velhas formas de organização social - para se tornarem o modo prevalecente de organização das atividades humanas. A internet possibilita a organização da sociedade civil. A rede, então, é aliada das pessoas. Assim, as redes sociais e conectadas elevam o ser humano à modernidade. Possibilita um retorno às redes humanas nas quais sempre estivemos inseridos. Projeto Parque EscolaEntendemos o Parque Escola não apenas como um parque, mas como um local onde a comunidade pode exercer essa convivência através de projetos de integração do meio ambiente com a tecnologia. O Parque Escola tem uma linguagem própria. Além de ser um complexo botânico, tem como premissa a reciclagem e o aproveitamento de materiais para o conforto da comunidade. Podemos, assim, pressupor que o projeto parque Escola está focado nas técnicas de reciclagem e no preservação do meio ambiente. Uma análise do projeto Parque Escola nos leva a entender a necessidade de uma maior integração com as novas tecnologias. Apesar dos projetos do CDISP e o N@ Escola estarem sediados no Parque Escola, acreditamos que existe um gargalo tecnológico, ou seja, uma falta de adequação entre a linguagem de construção proposta pelo Parque Escola, com a linguagem educacional trazida pelos projetos citados. O Parque Digital tem trabalhado com o intuito de levar as tecnologias às pessoas, mas de forma descentralizada e de baixo para cima. Nossos objetivos estão no aprendizado, no engajamento das pessoas às comunidades e na integração dos atores em questão. Não se trata de adequar as pessoas às tecnologias que são padrão no mercado, mas de adequar a tecnologia às necessidades e desejos das pessoas. Rede WiFiSmart mobs emerge when communication and computing technologies amplify human talents for cooperation. The impacts of smart mob technology already appear to be both beneficial and destructive, used by some of its earliest adopters to support democracy and by others to coordinate terrorist attacks. The technologies that are beginning to make smart mobs possible are mobile communication devices and pervasive computing - inexpensive microprocessors embedded in everyday objects and environments. (...) The people who make up smart mobs cooperate in ways never before possible because they carry devices that possess both communication and computing capabilities. A pesquisa em redes wireless vem contemplar a busca por soluções tecnológicas que possam resolver a ampla necessidade de acesso em pontos distantes dos centros das grandes cidades brasileiras e pontos que, mesmo próximos aos centros, têm baixo poder aquisitivo, contando com pouco interesse para a cobertura pelas operadoras de telecomunicações. A busca por tais soluções vem também oferecer uma alternativa tecnológica às conexões cabeadas, que muitas vezes são custosas no momento da implantação e do crescimento da rede. Telecentros concebidos como espaços públicos de relacionamento e interação entre os mais diversos atores da sociedade ao seu entorno são focos de irradiação de cultura, produção colaborativa de informação e validação coletiva do conhecimento adquirido. Pensarmos em Telecentros que funcionem baseados na arquitetura de rede oferecida pela tecnologia WiFi? é pensarmos em estruturas tecnológicas que alarguem essa irradiação por meio do livre compartilhamento de banda entre o Telecentro e entidades satélites, equipadas com material computacional reciclado, que tornam-se braços de largo alcance da Inclusão Digital e de seus modelos de replicação e interação no espaço digital. É a antena do Telecentro criando um canal de duas vias, não somente sendo um espaço de convívio público, mas ocupando espaços já estabelecidos com novos modelos de interação e convívio. Dessa forma, alarga-se o potencial de "disseminação do uso da tecnologia e do acesso à informação como meio de consolidação do processo democrático", uma das missões do sampa.org e apoiada por novos grupos de trabalho e projetos, como o Projeto Metáfora através do grupo MetaReciclagem?. Para tanto, arquiteturas de rede WiFi?, baseadas nas especificações 802.11b e seus até 11Mb de banda oferecem oportunidades tecnológicas para tratarmos de forma adequada essas questões e ampliarmos ainda mais a capacidade de conexão com agentes sociais que de outra forma estariam impossibilidados de se comunicarem através da rede. Por tais motivações, o Projeto Parque Escola, contemplando sua linha de atuação dentro do conceito da dinâmica da informação vem pesquisando formas de implantação de redes wireless que possam seguir aos seguintes quesitos: 1.materiais de baixo custo e preferencialmente reciclados, como computadores antigos, placas usadas, antenas montadas com recursos alternativos, entre outros artifícios; 2.utilização de software livre, incluindo sistema operacional GNU/Linux, drivers de sistema controladores das interfaces das placas, sistemas de monitoramento da rede, entre outros. 3. Fácil instalação e manutenção, de tal forma que qualquer agente, com um mínimo de capacitação, possa tornar-se responsável pelo acompanhamento cotidiano das redes instaladas, ficando dessa forma as comunidades locais plenamente capazes de realizar a autogestão de suas próprias redes e com conhecimento técnico suficiente para replicar o projeto em outras comunidades em seu raio de influência. 4.Estimular a troca de informação e a criação de uma comunidade nacional de desenvolvedores de projetos abertos e livres na área de redes wireless, fornecendo, dessa forma, uma importante contribuição à independência tecnológica e alternativas técnicas à construção de redes livres. Laboratório ExperimentalPara atingir a maturidade em termos dos potenciais a serem desenvolvidos nessas redes WiFi?, consideramos importante a construção de um laboratório experimental para servir como plataforma de teste para a pesquisa tecnológica aplicada, bem como da experimentação com ferramentas de interação, como weblogs, P2P e gerenciamento do conhecimento, entre outras. Além disso, o objetivo deste projeto piloto foi construir uma metodologia de trabalho e implantação que possa ser replicada em cidades, instituições e grupos dos mais diversos. O documento-guia gerado por este é de livre acesso às mais diversas comunidades interessadas na aplicação do trabalho e na replicação da estrutura pesquisada e validada no projeto piloto. Dessa forma, o MetaReciclagem? organizou este laboratório para a realização dos testes e medições técnicas, bem como para a implantação das ferramentas de trabalho. E, como posterior método de validação, a criação de um Telecentro piloto baseado na tecnologia WiFi?, implementado com a metodologia resultante dos trabalhos desenvolvidos no laboratório experimental. (Dalton isso deve ser desenvolvido, bem como o documento guia) Documento Guia(Dalton... aqui pra vc atualizar) Equipamentos necessários para a implementação: 1. Ponto de acesso e gateway entre a rede wifi e cabeada.
Equipamento AccessPoint? 2000, da 3Com. Permite 128 conexões simultâneas e permite ser ligado a um hub que servirá como conexão cabeada de acesso à Internet. 2. Hub. Ponto de interligação entre a rede wifi e um ponto de conexão à Internet.
Equipamento Encore ENH908-NWY 8 portas 10/100. Seriam necessárias duas unidades, como forma de conexão entre o laboratório e outra rede remota. 3. Placas WiFi?. Placas para conexão do computador para o ponto de acesso.
Equipamento PC Card WLan, da 3Com. Seriam necessárias ao menos três unidades que serviriam como Gateways de pequenas Lans cabedas. 4. Antena de curto alcance. Como forma de verificar a expansão da rede para regiões periféricas ao Telecentro.
Equipamento 3Com® 2.5 dBi Ceiling Mount Omnidirectional Antenna Com a lista de equipamentos acima, propomos a realização das seguintes etapas de validação do projeto piloto: 1ª. Montagem de um laboratório de teste, interconectando os equipamentos adquiridos, medindo a largura de banda oferecida e testando as diversas configurações e arquiteturas oferecidas. Essa etapa deverá ser implementada no período de um mês, gerando o conhecimento técnico básico para a construção de rede WiFi? baseada nos equipamentos de acesso e replicação de banda acima descritos. 2ª. Implementação das ferramentas de interação e análise do comportamento da rede sob o efeito de tais sistemas. Essa etapa deverá ser implementada no período de um mês. Essa etapa deverá ser implementada no período de um mês, gerando uma plataforma operacional para a rede construída na 1ª etapa. 3ª. Montagem de uma planta teste em uma entidade social, monitorando do uso da rede como forma de obtenção de estatísticas de acesso e análise da solução desenvolvida. Essa etapa deverá ter uma período mínimo de um mês, gerando ao seu final documentos de análise dos resultados obtidos. Com base nas atividades acima descritas e nos equipamentos a serem adquiridos, prevemos um orçamento total para o projeto da ordem de R$ 20.000,00, sendo esse valor aplicado na aquisição dos equipamentos e na execução do projeto ao longo do período de duração. A construção desse projeto piloto visa viabilizar a relação entre a tecnologia de rede WiFi? e comunidades que, por diversas razões, possuem restrições ao acesso das possibilidades hoje oferecidas pela Internet. Construindo e disponibilizando coletivamente o conhecimento adquirido na realização de tal projeto de pesquisa, estaremos contribuindo para a construção e desenvolvimento de estruturas de acesso que possam efetivamente contemplar projetos de inclusão digital em realidades geográficas diversas, onde as soluções já classicamente estabelecidas não poderiam atingir seus objetivos. CooperativasConseguimos finalizar a estruturação, a instalação do projeto metareciclagem e a criação de uma rede wifi que abrange o parque escola e o seu entorno. Estamos, nesse momento, preparados para o início da instalação de computadores e treinamento das comunidades relacionadas ao Parque. Nossa proposta é a instalação das máquinas recicladas, utilizando a distribuição do MetaLinux? e conectada pela rede wifi do Parque Escola. Onde?: - Coopflora: pequena cooperativa de ex membros dos mutirões de rua da cidade na área de jardinagem e plantio. - Cooperativa Olho Vivo: pequena cooperativa de costureiras e confecção. - Cooperativa de Reciclagem de Papel - CoopCicla?: cooperativa de reciclagem de lixo. Trabalhadores de rua (127) reunidos num galpão nos confins da cidade que recebem o lixo da região de santo andré (isso inclui outras cidades). Eles recebem computadores, de vez em quando, e costumam vender pelo peso. Acordamos em receber estes computadores para recilagem. Em troca de consertaremos - Comunidade João Bosco: grupo organizado da igreja católica que trabalha com jovens do bairro. Fomos até lá e fizemos um papo inicial. Muito bacana e a repercussão foi legal. Eles são muito facilmente conectados no nosso link Wifi. O acesso e treinamento do pessoal destas cooperativas e/ou comunidades pretende descentralizar a forma de inclusão digital. Focando na formação de redes sociais, ao invés de pensarmos na empregabilidade. Pois o acesso à rede e a circulação da informação no projeto tende a catalisar e potencializar o capital social nestas comunidades. Através da implantação de um projeto como o Parque Digital propomos a ocupação dos recursos pela comunidade. Ou seja, esta descentralização pressupõe a criação de uma rede social de baixo para cima. Uma inteligência coletiva se estabelece neste ambiente caótico. E não estamos falando apenas de tecnologia. As pessoas poderão agregar valores aos seus projetos pela ComunidadeParqueDigitalO grande poder transformador da Internet não está tão ligado ao acesso à informação. Os meios de comunicação de massa já o provêem de maneira ampla há pelo menos quatro décadas. O que posiciona a internet em um ponto de transformação, e não somente inovação incremental, é a possibilidade de comunicação "muitos para muitos". Qualquer pessoa conectada à Internet pode simultaneamente acessar e produzir informação. O projeto ParqueDigital fornece uma estrutura lógica para integrar as conversas online das comunidades interconectadas. Na prática, consiste em um portal de relacionamento cujo conteúdo é construído e moderado, de maneira colaborativa, pelos próprios usuários. As ferramentas de interação envolvem notícias enviadas pelos usuários, fórum de debates, enquetes, diários pessoais (weblogs), livros colaborativos, mensagens particulares, bate-papo e várias outras. O motivo para a multiplicidade das formas de interação é possibilitar que cada usuário escolha as ferramentas mais confortáveis. Além de fatos pontuais, os usuários são incentivados a enviar opiniões, artigos sobre suas especialidades, novas idéias e comentários sobre o que os outros enviam. Os resultados a médio prazo são a criação de uma base de conhecimento comum, que possibilita o aprendizado distribuído, e a formação de uma rede de inovação que reverte em benefício para todos. Exemplos de aplicação de projetos de "Comunidades": - Buzzine - revista eletrônica aberta sobre tecnologia e negócios, moderada por todos os usuários. - MetaOng - agência de notícias auto-gestionada abrangendo terceiro setor e empreendedorismo. - Telecentro - sistema de publicação coletiva e descentralizada utilizado num workshop no telecentro de Cidade Tiradentes, em São Paulo. - LigaNois - publicação coletiva e descentralizada para conexão de diversas idéias - Colaborativo - publicação coletiva e descentralizada utilizado num workshop no telecentro do Jardim Copacabana, em São Paulo. Cursos & WorkshopsUm dos objetivos do Projeto "ParqueDigital é a recuperação da voz humana, ou seja, a utilização das tecnologias e ferramentas que possibilitem às pessoas o exercício da cidadania em sua totalidade. E através das opiniões, publicações, do copiar e colar e, principalmente, do engajamento em comunidades de interesse. Os 'Cursos' tem como foco a criação de cursos, seminários e Workshops destinados a inclusão das pessoas às tecnologias. Não apresentamos receitas, ou cursos de habilitação à informática. Atuamos às avessas, pois mostramos as possibilidades, o porquê da utilização desta tecnologia. Não pretendemos ensinar. Pretendemos dar condições de aprender. BibliotecaTendo em vista que os computadores serão reciclados no próprio Parque Digital, pensamos que seria interessante montarmos uma infra estrutura lógica para atender a biblioteca. A criação de uma biblioteca digital nos moldes do Comunidade do Parque será de grande valor à comunidade, bem como, atenderá as expectativas das diretrizes do Parque Digital. Basicamente, teremos:
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